TAIMBÉ TEM HISTÓRIA...

TAIMBÉ TEM HISTÓRIA...

Continuando a série da crônica da semana passada baseada no livro de Arcedino Fcoda Conceição, trago hoje, mais algumas pérolas daquela localidade descritas por ele:

-Mais de 100 Anos a nossa gente do Taimbé viajava a cavalo encilhado com serigote, arreamentos de couro e com capa da marca “Ideal” que não passava chuva. As mulheres viajavam em encilhas de “celim”, que era um estofado de couro com uma saliência para colocar a curva da perna direita. (Algum dos leitores teve esta experiência?). Com a carreta de boi iam a missa, aos casamentos, meus pais foram de carreta até o mar em Tramandaí (Imaginem isso). Outros usavam carretas de cavalos com quatro rodas nos anos 1935, caso de Guilhermino Bernardes.

- Os taimbezeiros de minha geração de 1925, conhecem como eu, os descendentes dos nativos “bugres tupis-guaranis” que moravam em casas de pau a pique, um rancho bem rudimentar de taquara amarrado com cipó, preenchido com barro vermelho e coberto de capim ou santafé, com um piso de chão batido de barro e cinza. O fogão era no chão da cozinha que queimava lenha de 2 metros.

- Um fato acontecido com um destes nativos, é o ocorrido na Estrada Geral do Taimbé a 200 metros da casa que era a moradia de Afonso Diogo dos Reis (Afonso Quinca), é que França Generosa, casada com Afonso Mateus, ganhou um filho na valeta da estrada sem nenhuma companhia, sozinha, cortou o umbigo com os dentes, e sem roupa, a criança foi agasalhada pelas filhas de Afonso Quinca, que mais tarde foi padrinho. França, que morava na divisa do Taimbé com Alto do Peru, foi a pé até Lomba Grande fazer compras, onde estava o marido trabalhando. Depois de caminhar 5 km até Lomba Grande e mais 4 Km de retorno a casa, não venceu ao rancho antes do nascimento do filho, faltando 1 km de caminhada.

- Agapito Antônio de Mello de 106 anos de idade, filho de Bernardino José de Mello, foi capa de reportagem em setembro de 1995 do Jornal Vale do Sinos, que conta sua história como filho de bugres do Taimbé, declarado por ele próprio.

Relatos como estes fortalecem o nosso compromisso com o resgate histórico e, com a preservação da Identidade daqueles que ajudaram a construir esta comunidade. Autor – Aurélio Strack.

Retrato de Arcedino Francisco da Conceição junto de Natalino em sua roça de mandioca, tendo ao fundo a baixada do Taimbé com Morro dos Pereira a direita.

 

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